Na Idade Média, o que mais obcecava os meios religiosos cristãos era o poder do demônio. Esse foi o tempo do florescimento da demonologia como disciplina teológica, do exorcismo como prática religiosa e do satanismo como corrente mística individualizada.

Seguindo a filosofia que citei acima, os magos desejavam o poder dos demônios por pensarem que ele era muito maior que o dos anjos para realizar seus desejos, uma vez que, aos anjos, não interessavam os fatos e objetos do mundo material.

O que os magos buscavam era sempre algum elemento desse mundo, como poder, riqueza ou vingança.
Por esse motivo, grande parte do material mágico escrito na época era relacionado a invocações de demônios e demonologia.

Mesmo nos casos em que Deus era Evocado, o objetivo era obrigar os demônios a obedecer ao mago.

Os anjos ficavam com as funções de proteger o mago, pois embora os magos desejassem usar as entidades demoníacas para atingir seus propósitos, tinham muito medo delas, pois consideravam que os demônios, com seu grande poder e maldade, poderiam arrastá-los para o pecado, arremessando-os em sofrimento eterno.

Por esse motivo, os magos ocultavam-se atrás do poder de Deus para tentar proteger-se dos demônios que atraiam para junto de si.

Na prática o que faziam era repetirem orações e escreverem ao redor do circulo mágico muitos nomes pelos quais Deus é designado nas disciplinas judaico-cristãs, intimando assim os espíritos a respeitarem e obedecerem a esses nomes.

Usavam o poder dos demônios para realizar seus desejos, e o poder de Deus e dos anjos para se protegerem dos demônios, podendo assim fazer o ritual sem que causassem consequências desastrosas, sem que precisassem… como dizem popularmente hoje em dia… vender suas almas.

Daí vemos o porque, mesmo nos rituais que visam evocar demônios, vemos os nomes de anjos, de Deus e de tantos outros seres celestiais utilizados nos círculos mágicos e evocações.

A Goétia então é basicamente isso:

– Evoca-se Deus e os anjos;

Invoca-se os demônios;