A pouco tempo entrei num grupo do facebook sobre goétia, fiquei impressionado por ainda existir tanta gente com curiosidades sobre esse assunto mesmo depois desse assunto ter sido tão explorado na época do “ocultismo pop” ou “ocultismo online”. A grande verdade é que naquela época muito pouco se falou sobre a prática goétia em si e mais era teorizado sobre o conteúdo do Legemeton e de outras obras sobre o assunto como o goétia ilustrada do Crowley e outros.

O que mais falar sobre goétia?

Se concluirmos que tudo o que se poderia falar, escrever e teorizar sobre goétia já foi feito assinaríamos nosso certificado de “mente pequena”, como citei muito pouco é falado sobre práticas, posso concluir que em média 80% do que é escrito sobre o assunto é totalmente teórico, achismo, e barbaridades do tipo.

Existem também os relatos sobre as experiências obtidas com as evocações/invocações/conjurações, essas poderiam realmente ter mais valor se não fossem tão imbecilmente apresentadas. Sabemos que a época do “ocultismo online” gerou uma penca de ocultistas muito jovens e imaturos, facilmente impressionáveis e suscetíveis a manipulações de pseudo-mestres que além de não sacar nada de goétia ainda ensinavam a mesma para as futuras gerações… obviamente isso não ia prestar.

Mas o que vemos hoje?

Por incrível que pareça ainda temos a mesma coisa, parece mesmo que a goétia parou no tempo e não evoluiu nada ou quase nada desde sua popularização na internet. O motivo disso é bem simples, apesar de toda a visão que tivemos sobre o assunto tivemos praticamente nenhuma obra original ou de peso publicada sobre o assunto, ou seja, mesmo no âmbito profissional o que tivemos foi releituras das obras que já existiam e achismos baseados em misturebas de obras obscuras [algumas fantasiosas também].

Mas o que é real?

A goétia é muito abrangente, principalmente por não ser um culto ou religião específica, e que sua principal obra, o Legemeton, é na verdade um grande grimório hiper variado que pode ser aplicado em diversas áreas, inclusive fora da área demonológica. Tendo isso em mão sobra o fato de que a maioria dos espíritos citados por salomão, seja no Ars Goétia sejam os anjos do restante do Legemeton, ambos foram, na verdade, emprestados de outras culturas, e mesmo os que não foram chegaram a um ponto em que foram mesclados por entidades de outras culturas para que se pudesse ter alguma espécie de conexão cultural ou histórica com o mesmo.

Percebemos então que muito pouco se sabe sobre sobre os espíritos goétios, ao ponto de muitos não terem certeza se eles são entidades extra planares ou simplesmente aspectos da psiquê do invocador… Maninho, você tem noção de como isso divide águas?

Os demônios internos.

Algumas pessoas, principalmente voltadas a corrente filosófica da demonologia, acredita que os 72 espíritos não passariam de 72 aspectos da psiquê humana, assim como as sephiroth seriam 10 aspectos positivos da humanidade e as qlipoth seriam 10 aspectos negativos da humanidade, ou seja, pra essa galera o centro de tudo é a psiquê humana, e ela pode usar de vários artifícios para se comunicar com o consciente do indivíduo.

Não é de ontem que os espíritos/demônios/anjos são encarados como criação da mente humana, apesar disso ir contra a maioria das corrente mágicas tradicionais as linhas mais céticas defendem isso e tem, inclusive, boas razões para o mesmo, essas que vão desde ao antropocentrismo até histeria coletiva.

Os demônios extra planares.

Essa é a maneira mais simples de encaras esses espíritos, normalmente tida como absoluta por pessoas que acreditam que “o universo é grande demais para que só nós estejamos nele”, quase como acreditar em ET [não deixam de ser extra terrestres], mas ao invés de acreditar em uma manifestação física é crença geral que existam formas mais imateriais para que essa entidade possa “visitar” a humanidade.

Uma variação dessa mesma visão é ligada a evolução do espírito, onde deuses, demônios e até anjos seriam fruto da evolução espiritual do ser humano, como exemplo teríamos os guias espirituais, Metatron e alguns reis babilônicos [acho que eram babilônicos] que se tornaram demônios. mudando sua frequência energética ao ponto de necessitarem habitar outros planos, podendo visitar o nosso plano mediante a determinados rituais.

Conclusão

Eu não concluo nada, tenho que admitir que acredito tanto em demônios internos que devemos reconhecer e encarar como entidades externas, mas fica pra cada um seguir o que acredita. Se você tem uma visão diferente, deixe comentário, se puder divulgue o link que em breve continuo essa matéria.