Possessão e incorporação pt-2

Continuando com o tema sobre possessão e incorporação. A posteriori, Kardec, após experiências empíricas, retifica seu pensamento, reconhecendo o fenômeno da possessão:

“Na obsessão, o Espírito atua exteriormente, com a ajuda do seu perispírito, que ele identifica com o do encarnado, ficando este afinal enlaçado por uma como que teia e constrangido a proceder contra a sua vontade. Na possessão, em vez de agir exteriormente, o Espírito atuante se substitui, por assim dizer, ao Espírito encarnado; toma-lhe o corpo para domicílio, sem que este, no entanto, seja abandonado pelo seu dono, pois que isso só se pode dar pela morte. A possessão, conseguintemente, é sempre temporária e intermitente, porque um Espírito desencarnado não pode tomar definitivamente o lugar de um encarnado, pela razão de que a união molecular do perispírito e do corpo só se pode operar no momento da concepção.”

Para Kardec, possessão não necessariamente significa obsessão, para ele, se trata de um fenômeno no qual certos espíritos tomam posse literalmente do corpo do indivíduo, de forma transitória.

Para ele, não é raro que um espírito atue no corpo de um indivíduo, mas é necessário entender que o espírito pode se retirar aqui com seu perispírito para fora do seu invólucro corpóreo, e é quando isso ocorre que um espírito “invasor” une seu perispírito ao corpo adormecido e o desperta sob seu comando.

Tal ocupação não poderia ser definitiva dado aos fato de que para isso seria necessária a desagregação absoluta do primeiro perispírito (o dono do corpo) e ainda afirma que a ocupação não poderia ter longa duração, já que o novo perispírito não se uniu a aquele corpo desde o momento da concepção, não tendo raízes nele, é como uma veste emprestada.

Kardec nunca foi uma pessoa de verdades absolutas, frequentemente encontramos contradições e retificações a respeito feitas por ele.

Se faz necessário então ter por base os últimos estudos dele a respeito do fato quando falamos sobre possessão no viés Kardecista, e ela diz que há sim a possibilidade da real possessão de um espírito no corpo de um encarnado.

Na subjugação o indivíduo não quer realizar determinado fato mas se encontra compelido a fazê-lo, aqui o indivíduo está ciente do que ocorre mas nada pode fazer para evitar. Já na possessão, o indivíduo não tem a mínima ideia do que se passa, seu corpo independente da sua vontade está sob domínio da entidade, nesse caso não há o menor sinal de consciência, portanto nenhuma possibilidade de resistência, tornando o indivíduo, uma marionete.

Há também a “incorporação mediúnica”, que se distingue em diferentes vias de manifestação: psicografia, psicofonia, psicopictografia, psicocirurgia, psicoescultura, psicomúsica, escrita automática incontrolável com xenografia, xenoglossia, múltipla personalidade, transfiguração (esta última pertencendo também ao capítulo das ectoplasmias), etc.

Léon Denis, considerado por muitos como o sucessor de Kardec, define transe mediúnico como um sono magnético, que permite ao corpo fluídico exteriorizar-se, se desprendendo assim do corpo carnal e é neste corpo, momentaneamente abandonado que se instala o novo espírito. Esse é, segundo ele, o fenômeno das incorporações.

Mas diferentemente de outros autores, Denis afirma também que o espírito de uma pessoa viva (adormecida), poderia tomar o lugar do médium, servindo-se do corpo para estabelecer comunicações e ações tais qual outro espírito qualquer.

 

Curtiu?! Curta, compartilhe e nos apoie para que possamos continuar produzindo conteúdo de qualidade.


GOSTOU DESSE CONTEÚDO? QUER VER MAIS SOBRE ISSO OU SOBRE UM ASSUNTO DE SUA ESCOLHA? SEJA UM APOIADOR DO PORTAL E VEJA AS VANTAGENS, CLIQUE NO LINK PARA SABER MAIS

VOCÊ TAMBÉM PODE APLAUDIR ESSA MATÉRIA FAZENDO UM PIX PARA: [email protected]

O que achou da postagem?
+1
0
+1
0
+1
0
+1
0
+1
0
+1
0

Related Articles

Responses

O seu endereço de e-mail não será publicado.