Mais conhecido por ser uma filosofia do que uma religião, a base do Thelema consiste no seguinte motto: “Faze o que tu queres será o todo da Lei; Amor é a lei, amor sob vontade”. Esta frase, seguida como guia motivacional por Aleister Crowley, fundador do Thelema, e consequentemente pelos thelemitas, é um dos fundamentos básicos do Liber AL vel Legis, também conhecido como Livro da Lei.

O livro, escrito durante os dias 8, 9 e 10 de abril de 1904, foi ditado – segundo Crowley – por Aiwass, uma figura não-corpórea de inteligência superior que o contactou após o mesmo ter participado de uma série de experiências metafísicas com sua esposa, Rose Edith Kelly Crowley, em março do mesmo ano. A aparição de Aiwass, que mais tarde se identificou como seu Sagrado Anjo Guardião, confirma ainda a certeza de que o Livro da Lei não foi propriamente escrito por Crowley, por possuir um estilo de escrita diferente do dele, além de conter chaves cabalísticas e muitos outros mistérios que até hoje não foram solucionados.

 

Apesar do Thelema não possuir nenhum dogma, ou seja, cada thelemita tem o direito de interpretar o Livro da Lei à sua própria maneira (desde que o aceite como seu livro sagrado e siga sua filosofia), ele pode ser muitas vezes mal interpretado como uma licença para satisfazer qualquer vontade, se livrando também de qualquer responsabilidade; porém, o adepto do Thelema precisa compreender, primeiramente, que ao possuir livre arbítrio, ele é inteiramente responsável por cada ação e consequência que possa vir de acordo com as suas interpretações, não sendo absolvido ou considerado culpado por nenhuma divina intervenção. De acordo com o próprio Livro da Lei, “Todo homem e toda mulher é uma estrela”, pregando justamente a liberdade e um respeito não somente a si próprio, como também a todos os indivíduos.

Como mencionado no parágrafo acima, o Thelema não pode ser visto como uma maneira para se realizar as vontades do ego, carnais e/ou caprichos, e sim para encontrar a sua Vontade (com a inicial maiúscula para novamente reforçar a ideia de se desligar das vontades banais), sendo na maioria das vezes denominada de Verdadeira Vontade. O objetivo do thelemita é, então, cumprir a sua Verdadeira Vontade, desprendendo-se do Ego e conectando-se à sua Natureza íntima, alcançando paz e união com o Universo. Sendo assim, conhecendo a sua Verdadeira Vontade o levará a conhecer a Vontade do Universo, como também a Vontade do seu Deus Interno. Para isso, o thelemita precisa da ajuda do seu Sagrado Anjo Guardião, o daimon(divindade) único de cada um de nós, que o guiará para a realização do seu propósito.

 

O termo “θέλημα”, assim como o termo originário de “Thelema”, significa “vontade”. Ele denomina o sistema filosófico, místico e religioso de Crowley que, segundo ele, seria usado para caracterizar o Novo Æon (Nova Era), como um novo sistema ético e filosófico para a humanidade. Talvez o mais conhecido antecedente do termo “Thelema” foi o de Santo Agostinho, que disse no século V, durante um sermão: “Dilige et quod vis fac” (Ama e faze o que tu queres).