Quando falamos da Natureza, inevitavelmente identificamos os quatro elementos como parte integrante da sua estrutura, não só do próprio planeta, mas também como reflexo dos vários planos de existência do Ser Humano: o elemento Terra representa a estrutura do corpo físico e respectivas sensações; o elemento Água está relacionado com a bioquímica, as emoções e os sentimentos; o elemento Fogo dirige-se à energia e intuição, ao plano espiritual; o elemento Ar reporta-se à mente: pensamentos, entendimento e conhecimento.

 

Terra, Ar, Fogo e Água são essenciais para que possa existir vida e a mesma se desenvolva. O elemento Terra oferece-nos a sua estrutura, o planeta, a matéria da qual o corpo se constitui; enquanto o elemento Água lhe acrescenta vitalidade, poder de crescimento, regeneração e reprodução.

Elemento Ar eleva o ser humano além do mineral e do vegetal, recordando-nos que a terra é tão mais fértil, quanto mais arejada pelos ventos que nela circulam. O ar é o elo de ligação entre os mundos visível e invisível. No homem, implementa o movimento de renovação: o processo de respiração que transporta o oxigênio essencial à sobrevivência e reprodução das células. Quanto mais renovado, mais capacidade funcional tem o plano mental (ideias, criatividade, imaginação). Na realidade só podemos criar, quando nos libertamos do velho e já estabelecido, para aceitar as novas formas de pensar, ser e estar.

Elemento Fogo, o indivíduo entende que é o calor do sol que faz germinar e crescer as plantas e as árvores. É a mesma energia que aquece os seus processos físicos e eleva o seu entusiasmo, levando-o a vivenciar emoções como alegria ou explosões de raiva, a necessidade de intervenção no próprio meio ou de superar-se a si mesmo. Ao simbolizar a vertente espiritual do ser humano, o fogo transformador e transmutador representa que somos os únicos seres que alcançam a consciência do seu processo de envelhecimento e, posteriormente, a experiência da morte.

Desde tempos ancestrais que a observação da Natureza é para o Homem um vasto e infinito campo de aprendizagens e que tem funcionado como ferramenta de novos conhecimentos que têm contribuído para a sua evolução. A filosofia, mitologia, astrologia e os mais diversos tipos de ciências, desde as suas origens, tiveram sempre em conta os elementos como princípio base da sua estrutura.

Distintas culturas e tradições integram uma concepção semelhante dos elementos; podemos encontra-los, por exemplo, nas escrituras sagradas da Índia e também na raiz filosófica da medicina Ayurveda. Na China, entendiam a vida através da complementaridade das energias Yin e Yang, ou seja, feminino – passivo – receptivo e masculino – ativo – penetrante respetivamente, dividindo os elementos nesses dois grupos: o fogo e o ar são considerados ativos, estão relacionados com a energia Yang; enquanto água e terra passivos, relacionados com a energia Yin.

De igual modo, também podemos relacioná-los com a conceção grega das duas expressões de energia: Apolónia (fogo e ar que, ativa e conscientemente formam a vida) e Dionísia (água e terra, que representam as forças que manifestam-se de modo mais inconsciente e intuitivo).

Os elementos também foram divididos nas qualidades quente, seco, húmido e frio, incorporando uma velha teoria grega que posteriormente serviu de referência para designar os quatro temperamentos da medicina antiga: colérico (quente e seco – Fogo), sanguíneo (quente e úmido – Terra), melancólico(frio e seco – Ar) e fleumático (frio e úmido – Água).

Se tivermos em conta o próprio desenvolvimento da astrologia ao longo dos milênios, também podemos verificar que esta ciência esotérica estruturou-se através de cálculos matemáticos e de simbologia inspirada nos elementos como quatro conjuntos de referência dos tipos de personalidade que agruparam as 12 formas de representação das características do Homem: os signos. Assim sendo, os signos representados pelo elemento Ar são Gémeos, Balança e Aquário; no elemento Água temos Caranguejo, Escorpião e Peixes; ao elemento Fogo foram atribuídos Carneiro, Leão e Sagitário e os que representam o elemento Terra são Touro, Virgem e Capricórnio.

Tal como a astrologia, que sobreviveu até aos nossos dias como forma de clarificar e revelar as verdadesdo destino do indivíduo, também o mundo dos arquétipos, inspirando a psicologia de Carl Jung no início do século XX enquanto simbologia universal, são parte constituinte da memória da Humanidade, que ele designou como Inconsciente Colectivo. Desta forma, Jung também associou funções psíquicas aos quatro elementos: Terra representa as sensações; Água os sentimentos; Ar o pensamento; Fogo a intuição e ação.

Lavoisier, químico francês do século XVIII, considerou, inspirado pelas suas investigações científicas quena natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. Tendo em conta a sua afirmação, constatamos que ao longo da história da Humanidade, o homem sempre compreendeu e aceitou o dom transformador da natureza e da forma como ela foi alterando e aprimorando o próprio ser humano. Ao descobrirmos a sua influência nas nossas vidas, fomos capazes de nos adaptarmos a ela e evoluirmos enquanto espécie. Através da união entre os quatro elementos, resulta o quinto: o equilíbrio, o éter da Vida, que deve ser encontrado por cada um de nós em todos os níveis da nossa existência para que possamos alcançar a verdadeira paz e felicidade, bem como a harmonia na relação com todos os outros seres e o meio ambiente.