“No começo eu apenas tinha que coletá-los, desmontá-los e transformá-los em algo novo para um recomeço, hoje em dia meu trabalho é outro… Meu serviço é garantir que aqueles desgraçados permaneçam mortos.”

O clima de obscuro pairava no ar, aqueles poucos segundo pareciam uma eternidade… Hannow com sua mão estendida oferecia àquela criatura bizarra e imponente a gema negra que havia recolhido do corpo de um semi-morto, essa por sua vez segurava em sua mão outras cinco que vazaram do corpo do ocultista, porém o silêncio foi quebrado quando o monstro finalmente falou.

– Eu vou te levar, Hannow…- A voz era absurdamente sombria e impossível de traduzir em palavras a sensação que ela gerava ao ser ouvida, era como o canto da morte, talvez aquela frase por si só já fosse o suficiente para matar uma pessoa comum, porém Hannow permaneceu estático e respondeu.

– Não se pode morrer fora de casa, é a lei e você sabe disso… guarde suas ameaças para a próxima vez, dona Morte.

Enquanto o braço negro estendido recolhia a última gema uma risada macabra e ao mesmo tempo debochada saía por debaixo do capuz da entidade, apesar de ser claramente uma risada ela não inspirava nenhum bom humor e sim muito mal-estar. Hannow que agora procurava por algo nos bolsos continuou a falar.

– Mas não me leve a mal, vou precisar de um favor seu, minha linda…

O que antes era sombrio agora se tornou uma tempestade de ódio e desaprovação, a mortalha agora parecia conter vida e se espalhar por todo o corredor enegrecido, o monstro se inclina em direção à Hannow quase tocando seu rosto e urra:

– Favor??? Favor??? Você esquece com o que está falando? Você deveria agradecer por eu não te colocar em coma nesse exato momento e te deixar para morrer no plano físico!.- Porém, antes que ela continuasse Hannow acendendo um cigarro a corta.

-Como eu fiz com esses 6?

Uma pausa desagradável toma o diálogo, Hannow fuma seu cigarro enquanto a entidade antes irada agora parece presa por grilhões invisíveis, sem ação ou atitude, poderia se dizer que ela ficou sem palavras, e ele continua:

– Você não pode vir aqui coletar esses caras, eu sei, já estudei muito o que você pode e não pode fazer, e sabia bem que se eu mesmo os matasse você ganharia uma permissão especial para a coleta… Você deveria estar me agradecendo, afinal sabemos que boa parte desse lugar existe por incompetência sua, não é?

A entidade permanece estática, em silêncio.

– Então não me venha com essas ameaças vazias, eu sei que você e mais uma galera estão loucos pra me dar uma passagem para Belize mas não hoje e não por você. O que eu fiz aqui considere um ato de boa fé, ou o pagamento de um favor.. então decida, você prefere dever algo a mim ou me fazer um favor?

Um longo silêncio se fez, e por fim a entidade solta:

-O que você quer?

Depois de uma baforada de fumaça Hannow responde:

-Carona pra casa.