Sua pele é acinzentada e ressecada, assemelha-se a madeira petrificada, a aparência geral é de uma múmia sem as bandagens, porém em vários pontos do seu “corpo” pode-se perceber barras e vigas de metal brotando, como se tivessem sido enfiadas lá ou tivessem brotado de dentro do corpo rasgando a carne, o rosto também ressequido apresentava olhos amarelos dentro de órbitas negras, os dentes eram parte metal enferrujado parte madeira apodrecida, a criatura não apresentava pêlos ou cabelo em nenhuma parte do corpo, nem qualquer sinal de sexualidade como seios ou genitálias, ela veio em seu lento passo descompassado até se posicionar no meio do círculo que Hannow tinha em frente a si, depois de alguns instantes a criatura começa:

 

– Por que me chama? – Sua voz também era descompassada e arranhada, horas fina horas grossa, soava como se estivesse saindo de um cano de metal, em alguns momento como se falassem de dentro de uma caixa de madeira.

 

– Preciso de uma informação, e acredito que você possa me ajudar. – Diz Hannow com sua habitual arrogância.

 

– Não. – Respondeu prontamente a criatura que já começava a dar as costas para Hannow.

 

– Não há algo que possamos negociar? – Diz Hannow tentando não perder a compostura.

 

– Sim, tem, humano. Tire a sua própria vida e a de todos vocês que me corrompem e serei grato.

 

Hannow fica inquieto com a situação, a criatura o observa como se esperasse que ele topasse a proposta irreal dela, todos os truques de Hannow estavam se esgotando, e ele precisava daquela informação, era primordial conseguí-la a qualquer custo.

 

– Então, você se revolta com todos aqueles que lhe corrompem, sua terra e árvores e plantinhas… você deve odiar os vegan… – Diz Hannow tentando ganhar tempo.

 

– Mortal, não tenho tempo para perder com sua mente limitada, me libere para que eu não tenha que forçá-lo a isso.

 

– Sem problemas, mas antes só mais uma pergunta. – Hannow pega um cigarro do bolso e acende-o, e prossegue – Esse que eu estou fumando, por acaso era parente sua?

 

Nesse instante o que era apenas uma criatura na frente de Hannow se torna uma espécie de massa que se multiplica por todo o quarto e moldando-se como paredes, um som terrível e dissonante é produzido por todos os lados, o rosto bizarro da criatura se multiplica por todos os lados, Hannow parece sereno, em poucos instantes todo o ambiente se torna uma espécie de organismo vivo, como o interior de uma árvore, porém com detalhes em metal e pedras, esses por sua vez mudam de posição irregularmente.

 

– MALDITO!!! Como ousa tamanha ofensa!!! – O som vem de todas as direções e em tons diferentes e descompassados.

 

– Digamos que pra um entidade que está aqui desde a criação da Terra você é muito abusadinha, se prefere fazer da forma difícil, é melhor começara rezar pra mamãe Gaia, porque agora eu vou te esfolar.

 

As palavras de Hannow desencadeiam uma reação absurdamente violenta da entidade que domina a situação, o chão parece tremer, não o chão parece ondular sob os pés de Hannow, como se ele estivesse dentro de alguma espécie de órgão vivo que anseia por lhe triturar, a fraqueza pesa no corpo de Hannow que vai de costas ao chão, do teto um rosto grotesco e disforme sorri, mãos de pedra e metal escorrem em direção ao chão como estalactites precoces, em questão de segundos perfuram os ombros e braços de Hannow, Ele urra, trinca os dentes de dor e percebe que suas pernas também foram atingidas num golpe que ele nem mesmo tinha percebido, “algo está errado”, “ainda não” ele pensa, o líquido vermelho e viscoso escorre por sua boca, a garganta parece bloqueada, o corpo permanece imóvel, “ele parou de responder”, ele pensa, lentamente eles cobrem o corpo inteiro de Hannow, o silêncio se faz, nada se move, a escuridão impera, por fim.