Paredes pintadas de preto, mal tratadas e com sinais de infiltração, no “hall”, podia se ver negras esbeltas semi-nuas atendendo os clientes desesperados por sexo, Hannow olhava pra tudo aquilo com indiferença aquilo era para alguns uma fuga, pra ele apenas uma forma de mostrar o quão perdedor um homem pode ser, sujeito incapaz de utilizar o que tem entre as pernas deve pagar por isso, pagar caro, e naquele prostíbulo imundo o serviço era realmente caro, porém apesar de ter apenas negras como funcionárias, o ambiente se equiparar à um boteco sujo e o ambiente ter cheiro de latrina, aquele era o puteiro que mais movimentava dinheiro na região, apesar de não ter ligação com venda de drogas e afins. A resposta se encontrava logo ao fim do corredor, e era aquele o destino de Hannow.

Seguindo reto e ignorando as cantadas e insinuações das prostitutas ao seu redor Hannow parecia um bicho assexuado, ou alguém obstinado demais para parar pra conversar, ele apenas seguia. Diferente de seu amigo baixinho, que parecia como que dominado pelas prostitutas, que nesse momento o cercavam e davam seu preço, ele hipnoticamente abria sua carteira como se sua vida dependesse disso. Hannow olha pra trás e com uma feição carrancuda avisa:

– Entreguem ele vivo depois que terminarem, senão terão problemas!

As prostitutas que serpenteavam ao redor do baixinho apenas sorriem e o levam para algum dos pútridos quartos onde o serviço seria “prestado”, Hannow pára em frente a uma porta vermelha, como um martelo ele dá 6 toques, cruza os braços e aguarda, alguns segundos depois uma voz mansa e tremida responde lá de dentro:

– Deixe sua alma do lado de fora e entre, Hannow.

Ele abre a porta, o quarto é todo pintado de preto, inscrições que parecem ter sido feitas por homens das cavernas enfeitam das paredes até o teto, alguns objetos ressequidos estão espalhados por todo canto ou pendurados em pequenas cordas no teto, são ossos que parecem ser de animais, algumas ervas e galhos, a iluminação não deixava avaliar claramente, ao centro uma espécie de bandeja de palha trançada com algumas pedras ao redor guardava um pentagrama mal desenhado e alguns outros símbolos ilegíveis, de frente pra esse objetos uma mulher esbelta, trajando apenas uma espécie de pano que cobria suas partes íntimas, uma série de guias e patuás cobriam precariamente os seios empinados, o rosto era arredondado apresentando traços haitianos, o cabelo crespo típico da raça era grande e desproporcional ao resto do corpo. Atrás dela em pé se encontrava um jovem negro, gordo e de estatura mediana, que parecia não ter percebido a entrada de Hannow.

– Piada sem graça, Mulher sabe que não tenho alma já faz tempo. – Diz Hannow enquanto se senta entre ela e o objeto de palha.

– Se você quiser, Hannow, te arranjo uma ou até duas almas, de homem ou de mulher ou até de bicho, basta você dar essa cabeça pra mim e pros meus pais que você sai daqui outro homem.

Hannow, pega um cigarro e acende-o pelo canto da boca, solta fumaça na direção da Mulher, sorri enquanto bate as cinzas no que parecia uma pequena tigela com farinha e diz:

– Tenho que passar essa, eu gosto do homem que eu sou e da cabeça que tenho, então ambos vão ficar onde estão, ao menos por hora… – A mulher gargalha e chacoalha os seios fazendo os patuás e guias tilintarem, e subitamente abaixa a cabeça em direção ao ventre.

– Vai começar tudo de novo… – Diz Hannow num ar entediado.

A mulher levanta a cabeça e mostra olhos totalmente brancos, a boca semi aberta com as pálpebras tremendo geravam um quadro assustador, porém Hannow parecendo não ligar apaga seu cigarro na tigela de farinha e continua:

– Olha só, eu sei que você adoraria ficar nessa “macumbaria”, bater tambor, pular fogueira, mas eu não tenho muito tempo, então dá pra você mandar essa porcaria que entrou em você embora pra eu poder falar com você como gente?

A Mulher sorri de forma grotesca enquanto baba, seus olhos permanecem brancos, ela começa a falar com uma voz um pouco rouca e masculina;

– Vós sunsê é muitu abusadinho pru seu tamaninhu, tu num axa num? Sabi o qui vô fazê com vôs sunsê? Vou botá seu nom…. PLÉIM – A Mulher é interrompida por um violento tapa de mão aberta desferido por Hannow em sua face, o estalo é tão alto que chega a ecoar no pequeno e vazio quarto. A Mulher desaba pro lado derrubada pelo impacto do golpe, Hannow pega um cigarro e enquanto acende fala pelo canto da boca:

– Podemos fazer isso o dia inteiro.

A mulher, agora com os olhos normais porém cheios d’água e uma marca de 5 dedos na face esquerda, acaricia o ferimento olhando amedrontada pra Hannow e diz:

– Tudo bem, o que você quer?

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui