“Exausto após sua macabra atitude Hannow segue pelo escuro corredor do hospital maldito, apenas um andar tinha sido percorrido e ele já parecia acabado, realmente algo muito horrível deveria estar sendo feito ao seu corpo físico, e isso o preocupava.”

Não havia nenhuma escada para prosseguir, apenas um velho elevador à manivela, sem portas, apenas com uma grade destruída e enferrujada, ao entra os ruídos de madeira trincando e correntes balançando tornavam tudo mais assustador e obviamente perturbador, no interior o  cenário  continuava a apresentar restos de material hospitalar e sujeira, manchas de sangue que outrora havia escorrido das paredes decrépitas daquele aparelho arcaico  contribuíam  à cena, porém era o único caminho a seguir, e mesmo sabendo que provavelmente aquilo o levaria para um lugar pior Hannow gira a manivela fazendo o transporte entrar em movimento.

Aos poucos o barulhento elevador desce para o nível abaixo, esse que como os outros permanece escuro e destruído porém com uma principal diferença, das rachaduras na parede escorre água, ou algo similar a isso, a única certeza era que o líquido era imundo, gelado e fétido e tomava todo o chão do largo corredor e o nível alcançava até a  altura  das canelas de Hannow dificultando seus movimentos ainda mais.

A passos lentos ele segue para a única direção que lhe resta, todas as portas estão  trancadas  ou bloqueadas, mas Hannow não iria querer abrir nenhuma delas, ele sabia que não encontraria nada de bom em seus interiores e que provavelmente se um recinto naquele lugar estava trancado era porque guardava algo ainda pior do que as monstruosidades que vagavam pelos corredores. A água ficava cada vez mais gelada e estranhamente o fazia sentir frio, algo absurdo já que não havia corpo físico ali, com certeza aquilo não ia prestar, mais uma vez ele se encontrava num palco armado por um habitante mais desenvolvido daquele lugar, algo forte e que provavelmente iria querer acabar com a raça de Hannow.

O pensamento foi interrompido com o perceber de pequenos movimentos sobre a água, não um mas vários movimentos rápidos e aleatórios, no escuro não podia-se ver o que os provocava mas ao forçar sua 3ª visão ele conseguiu ver a causa e isso o fez tremer inteiro… Eram pequenos pássaros, algumas dezenas deles, pequenos do tamanho de um pardal e com penas pretas e brancas, davam pulinhos em todas as direções e por vezes pequenos vôos que não passavam de um palmo de altura, não faziam nenhum som, não cantavam, não piavam e sem o farfalhar das asas emitia som mas não era isso que causara o medo profundo na alma de Hannow, mas sim o que ele esperava não vir depois disso.

Sem pensar duas vezes ele aperta o passo, na verdade corre, lutando contra a água que tenta impedir sua passagem, a expressão no seu rosto é de puro pânico e desespero, os passos largos fazem os  pássaros  voarem inquietos e fugirem em todas as direções mas Hannow está apavorado demais para sequer perceber isso, ele quer chegar ao fim daquele corredor, ou a uma janela para poder se jogar, um buraco para poder se enfiar, ele sabe que não pode voltar, a maldita manivela do elevador só girava em uma direção e agora ele entende por que, ele estava [email protected]#[email protected], e sua única opção agora era correr, e correr muito porque sua vida dependia disso.

Os passos rápidos pareciam não surtir muito efeito, o corredor parecia infinito, mas o ápice do desespero veio mesmo quando por um instante, por menos de um segundo Hannow ouve um choro, baixinho, sofrido, abafado, mas definitivamente um maldito choro feminino, seus olhos se arregalam, seu maior temor estava agora confirmado, chegar ao final do corredor agora não era uma opção; Tentar arrombar alguma das portas? Talvez fosse impossível, mas foi o que lhe sobrara, não importando o que encontraria lá dentro, podia ser o diabo, podia ser uma legião de demônios, ele entraria de bom grado e se sentiria aliviado, mas a maldita porta não abria e durante a sua desesperada tentativa ele ouviu de novo, porém dessa vez o choro foi constante, ele agora sabia, ela o achara e estava vindo na sua direção.

Entre o pânico e a tentativa de abrir qualquer porta Hannow pôde ver na água, à uma distancia não muito grande pequenas ondas se formando, algo estava saindo daquele palmo e meio de água e o fim definitivo para ele estava próximo.