Hannow rasga uma tira do vestido do que antes era uma jovem de cabelos pretos e com certa dificuldade cobre o ferimento no braço feito pelo jovem cachorro louco que agora ostenta um pedaço de abajur enfiado na cara, as coisas não estão das melhores pra Hannow mas ainda assim ele permanece de pé, ainda observando ao redor ele acende um cigarro e parece perturbado, apenas 4 corpos, aquilo está errado e ele sabe disso, ele vai à janela pra ver se mais alguém pulou ou foi jogado mas somente um corpo espatifado enfeita a rua, estaria então a indicação dada a ele errada? Não havia muito tempo, com certeza alguém ouviu o barulho daquela “festa macabra” e logo alguém chegaria para averiguar e Hannow não iria querer estar lá quando começassem a fazer as perguntas mas ele ainda tinha que exorcizar as energias do ambiente.

Ele pára no centro do cômodo e fecha os olhos, após alguns segundos começa a sussurrar alguns dizeres impossíveis de entender, a temperatura do ambiente começa a subir Hannow começa a suar, em sua visão astral ele consegue enxergar, mesmo de olhos fechados o círculo de fogo girando ao seu redor, era uma das técnicas de limpeza energética preferidas de Hannow por ser rápida e agressiva além de extremamente eficaz mas algo parecia diferente pois ele não conseguia enxergar suas chamas energéticas se expandindo, muito pelo contrário, elas se condensavam ao seu redor tornando o ar insuportável.
– Algo está errado…- Pensou ele
Porém antes que pudesse tomar alguma atitude todas as chamas ao seu redor saíram de controle e fluíram para seus olhos, como se tivessem sido sugadas por eles, causando não só cegueira imediata mas também uma dor excruciante que fez Hannow urrar e cair de joelhos.ao centro do cômodo.
Ao contrário do esperado de uma cegueira ele não enxergava tudo preto mas sim uma massa brilhante como magma se movendo dentro de seus globos oculares como se eles mesmos tivessem se tornado puro fogo, lágrimas escorriam pelo seu rosto seus dentes rangiam e o pensamento de “o que deu errado” se repetia em sua cabeça quando uma voz ao redor pôde ser ouvida.

– Hannow, Hannow, Hannow… – Em tom de deboche- Sempre com os mesmos modos e as mesmas técnicas mixurucas, você me decepciona, rapaz.

A voz parecia vir de todas as direções e Hannow que já estava desnorteado pela dor e além de confusão  agora ele sabia que o quinto elemento do ritual estava lá o tempo todo só esperando o momento certo de aparecer, e pior, ele conhecia Hannow.

– Você deve estar se perguntando o que aconteceu, não? – Disse a voz em tom explicativo- Eu te explico seu bruxinho de araque, eu selei todo esse ambiente para exorcismos de qualquer tipo forçando toda energia liberada a voltar a sua origem, e como sabia que você adora exorcismos de fogo imaginei que seria útil pra te incapacitar, isso que você enxerga agora é como enfiar a cabeça num poço de fogo do próprio inferno.

Hannow ainda ajoelhado sente seus globos oculares latejarem, sua testa vai ao chão sobre uma poça de suor, e a voz continua.

– A temperatura do seu corpo deve estar a uns 49 graus e subindo, deve ser muito desagradável, não? Mas você está acostumado, não? Espero que sim pois essa dor vai se estender e piorar por meses.

Inutilmente Hannow tenta se levantar mas cambaleando vai de encontro à parede, e nela fica apoiado mas sem condições de reagir às zombarias que continuam.

– Hahahahaha, você devia ver o quão patético você está, o grande Hannow totalmente indefeso e morrendo de medo tentando fugir.

Hannow consegue sentir a voz se aproximando e passos, sim, são passos quem quer que esteja lá está se aproximando e provavelmente não será nada amigável, a situação está fora de controle e ele não gosta disso, porém antes de poder executar qualquer ação de defesa ele sente um forte golpe na nuca que o leva ao chão.

-Esse é só o começo bruxinho, pretendo me divertir muito te espancando até a morte.- Outra pancada desferia nas costelas de Hannow o faz cuspir sangue, o agressor continua- Ponha se de pé seu inútil, bater em você deitado não é tão divertido quanto vê-lo cair.

As mão de Hannow se firmam no chão, seus braços tremem, lentamente ele se põe de joelhos, não sem antes sentir um forte golpe na face que faz seus dentes afrouxarem, as gargalhadas asfixiam os pensamentos de Hannow quando finalmente ele pôde sentir próximo a seu ouvido o hálito do agressor sussurrando.

-Agora eu vou te matar.

De súbito o agressor tem seu pescoço agarrado e é jogado contra a parede, no susto fica mudo, e treme ao sentir sua traquéia sendo esmagada ,o rosto de Hannow está suado e ensangüentado, veias parecem que vão explodir então ele abre os olhos, esses estão totalmente vermelhos como os de uma besta do inferno, ele encara seu agressor fixamente, esse é moreno escuro de cabelo baixo e barba mal feita, aparentava uns 30 e poucos anos, seus braços tem tatuagens místicas e ele veste uma espécie de roupa ritualística e segura um bastão dourado em sua mão repleta de anéis.

– Sofrimento por meses você disse? – Grita Hannow enquanto desfere um violento soco no rosto do tatuado.
– É como mergulhar no inferno?- Ele grita desferindo mais dois socos ainda mais fortes que os primeiros fazendo seus dentes soltarem, e ele vai ao chão.
– Eu tenho uma notícia pra você.- Um chute e o som de costelas quebrando podem ser ouvidos.
– Não é a primeira vez que eu enxergo o Inferno!

A cena é chocante, Hannow segura a cabeça do tatuado com as duas mãos e a bate repetidamente contra a parede, contra uma pequena mesa com tampo de vidro, contra a janela, praticamente tudo o que ele podia encontrar que parecesse machucar ele bateu a cabeça do outrora tão seguro agressor, Hannow está insano mas percebe que sua vítima já perdeu os sentidos e boa parte da carne do rosto. Ele então solta o corpo do homem e senta-se ao chão, há sangue por todos os lados, há corpos por todos os lados, há hematomas em todo seu corpo… ele então puxa o maço de cigarros do bolso e então percebe que eles está vazio, ele deixa-se cair de costas no chão olhando pro teto coloca as duas mãos na cabeça e fala pra si mesmo.

– Isso, com certeza, estragou sua noite Hannow.