“A tosse vinha acompanhada de fumaça e sangue, a dor era o de menos, agora ele já estava quase se acostumando a sempre ser esfolado, o tempo não estava a seu favor e esse serviço até que tinha sido fácil… Ao menos pra ele, não podia dizer o mesmo daqueles 4 estirados no chão, ou o que sobrou deles…”

 

O jovem à sua frente parece descontrolado, raivoso, possuído; Seu rosto apresenta uma estranha mistura de ódio e prazer, como alguém que gargalha e espuma pela boca ao mesmo tempo, lembrava uma hiena e seus movimentos também era semelhantes, ele partiu pra cima de Hannow com a faca levantada, movimento clichê e a distância entre os dois deu uma ampla vantagem a Hannow que facilmente se desviou do “berserker” mas não sem estourar a pequena garrafa de vodka em sua nuca.

O rapaz cambaleou de encontro à parede amortecendo com o nariz o forte impacto, não é necessário dizer que não foi uma das melhores formas de se proteger, agora seu nariz estava torto como se fosse feito de argila e uma grande quantidade de sangue escorria por ele, mas isso não parecia ter diminuído em nada o frenesi do jovem que agora berrava e socava o próprio rosto respingando sangue ao redor, Hannow parecia calmo, calculista observando aquela cena bizarra à sua frente.

 

– Eu vou te matar!!! Eu vou te matar!! – Berrava o jovem loucamente.

– Talvez, mas não hoje, garoto. – Responde calmamente Hannow enquanto acendia um cigarro, o que pareceu irritar ainda mais o oponente.

Apesar de parecer calmo Hannow estava inquieto, algo ali estava errado, desde a portaria ele já tinha contado 4 integrantes do apartamento, porém o ritual parecia precisar de 5 pessoas, a não ser que esse 5º elemento também tenha sido atirado pela janela enquanto Hannow subia ele sabia que ignorar mais uma presença naquele lugar poderia ser um erro e tanto, mas o louco com a faca ensangüentada com certeza não iria dar muito tempo para Hannow averiguar, isso tinha que acabar rápido. A próxima investida tinha que ser a última, apesar do corpo de Hannow ainda estar bastante castigado ele conseguiria lidar com um moleque possuído.

O jovem que babava e fazia expressões bizarras corria em direção a Hannow, este permaneceu parado como quem calcula distância, a faca passa perante seus olhos, a situação está ficando pior, socos são desferidos, traços de sangue voam no ar, sangue de Hannow, ele sente a dor o jovem parece não se importar com a violência dos golpes de que leva, aquilo parecia ter um fim determinado e não seria a seu favor, algo deveria ser feito antes que o fôlego faltasse, Hannow tenta então imobilizar o rapaz para sufocá-lo e percebe que será impossível pois até mordidas são desferidas e uma delas abre um belo ferimento no braço de Hannow, o rapaz está realmente fora de controle.

Algo explode na cabeça de Hannow ao ver seu próprio sangue e um belo talo do seu braço sendo arrancado, ele empurra o jovem que cai no chão recuperando o ar. Os pensamentos agora se embaralham na mente, o sangue parece ferver ele não pensa e antes que seu agressor conseguisse sequer erguer a cabeça o bico da bota de Hannow explode sua mandíbula, dentes e sangue são espalhados pelo quarto, um urro de dor e ódio deve ter sido ouvido no andar inteiro, o jovem tomba ao chão sobre uma enorme poça de sangue, seu corpo apresenta espasmos ele parece não ter mais capacidade de levantar, Hannow pisa com força em sua nuca, uma vez duas vezes tantas vezes que já não sabia mais o que estava fazendo, o jovem agora está encharcado em seu próprio sangue sua cabeça e pescoço estão inchados de forma grotesca, Hannow se afasta.

– Urhhg, o q.. que… acon.. te cendo… – Murmura o jovem de forma quase grotesca.

 

Hannow pegava um abajur longo de metal.

 

– Po…or fa..voor.. aj.. ajudda..- O jovem continuava.

 

Hannow arrancava a grossa parte metálica do utensílio.

 

– Aaa….ju..da.

 

Hannow desfere o primeiro golpe nas costas do jovem que se estira no chão, ele cospe uma grande quantidade de sangue e parece sufocar, Hannow aplica um segundo golpe na altura dos pulmões e o jovem entra em convulsão , com um chute hannow vira a carcaça com o peito pra cima e pisa em seu pescoço, os olhos estão imundos de sangue e revirados espuma vermelha sai do que parece ser a garganta do rapaz, Hannow levanta o pesado objeto metálico pronto para desferir o golpe final e sussurra.

 

-Desculpa garoto, mas eu não sou o herói aqui.