A noite estava tranqüila, o clima fresco e uma leve brisa sacudia a cortina vinho das janelas, era uma situação perfeita para um bom bate-papo casual entre amigos… mas eles não estavam ali pra isso, não essa noite.

Sentados no belo chão de tábua corrida estavam aqueles cinco jovens, quatro rapazes e uma garota, provavelmente entre seus 19 e 23 anos, apenas dois pareciam mais velhos, aparentava quase uns 30 e poucos,um tinha uma aparência mais acabada com seus cabelos esfiapados e sua barba por fazer, esse parecia ser o líder desse pequeno grupo. O que eles faziam? acendiam velas, a moça espalhava incenso pelo quarto enquanto os rapazes estendiam suas mão a símbolos místicos desenhados no chão, o mais velho folheava um grande livro encardido enquanto sussurrava frases praticamente inaudíveis. Todos pareciam certos do que estavam fazendo, todos pareciam ter treinado para aquilo, nada poderia dar errado, essa era a premissa.

Do Lado de fora de um prédio luxuoso Hannow observa as janelas, acende um cigarro e observa a leve brisa carregar a fumaça pra longe. A quantidade de janelas a sua frente é enorme, mas nesse horário, quase 3 da manhã, a maioria delas se encontram escuras e estáticas, uma porém não lhe sai do campo de visão, e ele a observa constantemente, ele sabe que era ali, o endereço lhe foi dado, mas Hannow nunca foi de confiar em demônios não seria agora que cometeria qualquer atitude impensada, ainda era tempo de observar algum sinal lhe seria dado…

– Todos prontos? – Perguntou o mais velho ao se sentar no que seria a ponta principal de um pentagrama.
– Sim! – Prontamente responderam os outros quatro que já tinham se acomodado ao redor do círculo.

O silêncio se fez, cabeças foram abaixadas e preces e mantras foram entoados, tudo numa sincronia absurda, o próprio ar ao redor deles vibrava sob a vontade do grupo, as chamas das velas permaneciam estáticas apesar da brisa que circulava no cômodo, a temperatura ao poucos foi diminuindo…

– Diminuindo?- Sussurrou Hannow enquanto acendia seu, sei lá, oitavo cigarro.- Pelo visto esses posers estão conseguindo.- Soltou um leve sorriso enquanto se levantava do capô do carro e seguia em direção à porta do edifício.

Os olhares estavam fixos ao chão, apenas o líder cabeludo matinha a cabeça erguida como se olhasse pro nada, suas pupilas pareciam dilatadas e ele não piscava, porém continuava a entoar suas estranhas orações, os demais membros rangiam os dentes e cerravam os punhos com força como que mantendo uma postura incômoda.

– Venha a nós, ó rei infernal, eu imploro por sua atenção… – Subitamente clamou o cabeludo que parecia estar em uma espécie de transe.

Os membros ao redor dele pareciam estáticos, todos com seus olhos fechados e entoando um mantra que soava de forma frenética e hipnótica, as chamas das velas e a fumaça dos incensos agora eram movidas na direção oposta do círculo, como se uma grande corrente de ar estivesse saindo dele, nesse momento o cabeludo se calou e seus olhos agora pareciam focar em algo, mesmo não tendo nada  na sua frente, ele parecia observar fixamente algo que só ele podia ver e a expressão do seu rosto simbolizava apenas uma coisa DESESPERO.

De dentro do poço eu podia vê-los, eram 5, quatro deles eram as pedras ao redor do poço enquanto um deles se curvava para observar o fundo, quando o garoto cabeludo finalmente se curvou o suficiente para que eu pudesse tocá-lo, sussurrei em seu ouvido:

– Vocês são fracos.

Enquanto Hannow observava o pálido porteiro desmaiado no balcão da portaria, deu uma última tragada e descartou o resto do cigarro, antes que ele pudesse pisar na guimba um corpo se espatifa sobre dela, parecia ter caído de uma altura absurda pois o estado do que sobrou era deplorável, o pouco que dava pra Hannow perceber era que provavelmente era um homem, e era cabeludo.